Para encontrar editais para startups, comece pelas fontes oficiais gratuitas. São elas os sites dos financiadores (Finep, CNPq, BNDES, Sebrae), as fundações de amparo à pesquisa (FAPs) do seu estado e de outros estados que aceitam empresas de fora, o Diário Oficial e, para vendas ao governo, o Portal Nacional de Contratações Públicas. Depois, some a isso os boletins de oportunidades de universidades e, se o volume compensar, uma ferramenta paga de busca e alertas. Nenhuma fonte cobre tudo sozinha, e o edital oficial publicado pelo financiador é sempre o documento que vale.
1. Sites dos financiadores nacionais
- Finep. Publica as chamadas nacionais na área de chamadas públicas do site e anuncia aberturas e prorrogações nas notícias. Os programas descentralizados, como o Centelha e o Tecnova, têm editais publicados pelos agentes de cada estado, e não pela Finep. Veja Finep para startups.
- CNPq. Mantém uma página de chamadas abertas para submissão em gov.br/cnpq. A maior parte é para pesquisadores, mas há modalidades que envolvem empresas, como bolsas para pesquisadores atuarem em empresas inovadoras.
- BNDES. Divulga no próprio site os instrumentos de apoio à inovação. Programas como o BNDES Garagem têm site e editais próprios.
- Sebrae. A Agência Sebrae de Notícias tem uma seção de inovação e tecnologia que divulga programas e inscrições. Programas do Sebrae, como o Catalisa ICT e o InovAtiva, têm páginas e regulamentos próprios.
2. FAPs: as fundações estaduais
As fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) atuam cada uma no seu estado. O Confap, conselho que reúne as FAPs, mantém em seu site uma lista com os contatos delas. As FAPs publicam editais próprios, e muitas delas operam no estado programas descentralizados da Finep, como o Centelha e o Tecnova.
Algumas organizam bem a informação. A FAPESP, por exemplo, tem uma página de chamadas abertas com as datas-limite de cada uma. No PIPE, a FAPESP informa que as propostas de Fase 1, Fase 2 Indireta e PIPE Invest podem ser enviadas em qualquer época do ano. Além disso, há chamadas temáticas com prazo fechado.
Dica prática: liste as FAPs que interessam a você (a do seu estado e as que aceitam empresas de fora, quando houver) e confira as páginas de editais delas toda semana.
3. Diário Oficial
O Diário Oficial da União, publicado pela Imprensa Nacional, é onde saem os atos oficiais do governo federal, inclusive avisos de chamadas e de licitações. Estados e municípios publicam os seus atos nos próprios diários oficiais. Ler o diário inteiro todo dia não é viável. O que funciona é usar a busca por palavras-chave, como "subvenção", "chamada pública" ou o nome do programa, e acompanhar os avisos dos órgãos que importam para você.
4. Compras públicas de inovação (CPSI)
Se a sua startup vende para o governo, as oportunidades não aparecem como "edital de fomento", e sim como licitação. Pelo Marco Legal das Startups, o edital de CPSI precisa ser divulgado com pelo menos 30 dias de antecedência, em site oficial de licitações e no diário oficial do ente. O PNCP, criado pela Lei 14.133/2021, centraliza editais e contratos da União, dos estados e dos municípios. Veja CPSI e encomenda tecnológica.
5. Boletins de universidades e ambientes de inovação
Muitas universidades publicam boletins periódicos de oportunidades de captação. Eles saem pelo núcleo de inovação tecnológica (NIT), pela pró-reitoria de pesquisa ou por um escritório de projetos. Um exemplo é o portfólio mensal de oportunidades da UESB, preparado pela assessoria de projetos da universidade. Esses boletins juntam editais de várias fontes em um só documento, com prazo, valor e elegibilidade resumidos. São úteis para achar chamadas feitas para projetos entre universidade e empresa.
6. Ferramentas pagas
Também existem serviços pagos. Os tipos mais comuns são:
- Catálogos e agregadores que reúnem editais de muitas fontes em um só lugar, com filtros;
- Alertas por e-mail com novos editais de um perfil escolhido;
- Consultorias de captação, que buscam o edital e ajudam a escrever a proposta;
- Assinaturas institucionais, usadas por universidades e órgãos.
O Meu Fomento é uma dessas ferramentas. Ele reúne editais de várias fontes e confere as regras de elegibilidade de cada um, com a cláusula e a página do edital, para mostrar se vale a pena você ler o documento inteiro.
Ao avaliar qualquer ferramenta, paga ou gratuita, pergunte:
- quais fontes ela cobre;
- com que frequência atualiza;
- se mostra o link do edital oficial;
- se separa editais para empresas dos editais só para pesquisadores.
Nenhuma ferramenta substitui a leitura do edital oficial e das retificações.
Erros comuns
- Procurar só por "editais abertos". Termos genéricos misturam editais de áreas sem relação com inovação, como cultura e concursos. Funciona melhor buscar pelo nome do financiador ou do programa, junto com o ano.
- Olhar só o próprio estado. Programas nacionais e chamadas da Finep valem para o país todo, e algumas chamadas reservam parte do orçamento para regiões específicas.
- Ignorar as retificações. Prazos são prorrogados e regras mudam depois da publicação. A Finep, por exemplo, prorrogou prazos de várias chamadas em 2026.
- Deixar o cadastro para a véspera. Na chamada PIPE Indústria do Futuro de 2026, a FAPESP pediu que novas empresas solicitassem cadastro no sistema com pelo menos dois dias úteis de antecedência.
- Confiar em resumo de terceiros. Notícias e listas ajudam a descobrir o edital, mas a elegibilidade está no texto oficial.
Uma rotina simples
- Uma vez por semana, confira os sites da Finep, do CNPq e das FAPs da sua lista.
- Faça buscas periódicas no Diário Oficial e no PNCP, se você vende para o governo.
- Assine os boletins da universidade ou da incubadora mais próxima.
- Para cada edital promissor, leia o texto oficial inteiro e anote prazos, documentos e requisitos de elegibilidade.
Veja os editais para startups abertos agora, reunidos em um só lugar, em /editais.