A Finep apoia startups por quatro caminhos: subvenção econômica direta em chamadas nacionais, subvenção operada por agentes estaduais (como o Centelha e o Tecnova), crédito por meio de agentes financeiros e investimento indireto em fundos que aplicam em startups. Para a maioria das empresas nascentes, a porta de entrada mais realista é a subvenção descentralizada, feita com as fundações estaduais, porque chamadas nacionais diretas, como a de 2026 descrita abaixo, podem exigir projetos de milhões de reais, contrapartida e capacidade financeira comprovada.
O que é a Finep
A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) é a agência federal de fomento à ciência, tecnologia e inovação. Ela apoia desde infraestrutura de pesquisa em universidades até o desenvolvimento de produtos em empresas. Também é a secretaria executiva do FNDCT, o fundo federal de onde sai o dinheiro da subvenção que ela opera, dentro de limites definidos em portaria do MCTI.
Caminho 1: subvenção direta (chamadas nacionais)
A Finep concede recursos não reembolsáveis a empresas brasileiras de todos os portes, com base na Lei de Inovação e no Decreto 9.283/2018. Ela opera esses recursos por fluxo contínuo e por chamamento público. O programa mais visível em 2026 é o Finep Mais Inovação Brasil, com chamadas temáticas.
Para entender o porte dessas chamadas, veja a de Economia Circular e Cidades Sustentáveis, publicada em fevereiro de 2026:
- Valor por proposta: pedido de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões em arranjo simples.
- Contrapartida: financeira e obrigatória, com percentual mínimo crescente conforme o porte.
- Parceria: participação obrigatória de uma ICT.
- Registro: empresa registrada na junta comercial até 31 de dezembro do ano anterior.
- Capacidade financeira: a análise exigia, entre outros pontos, patrimônio líquido positivo.
Uma startup no início da operação dificilmente cumpre esse conjunto. Já uma startup com alguns anos, faturamento e parceria com universidade pode competir.
Se o termo ainda é novo para você, leia antes o que é subvenção econômica.
Caminho 2: subvenção por agentes estaduais
O Decreto 9.283/2018 manda a Finep credenciar agências estaduais e regionais para levar a subvenção a micro e pequenas empresas. A Finep define as regras e repassa o dinheiro. O agente local publica o edital, seleciona, contrata e acompanha os projetos. Na página de financiamento operado por agentes, a Finep lista três frentes:
- Programa Centelha: para quem quer abrir uma empresa de base tecnológica. Aceita pessoa física, que precisa constituir uma micro ou pequena empresa no estado se for aprovada. Também aceita micro e pequenas empresas constituídas até 12 meses antes da publicação do edital.
- Programa Tecnova: para empresas sediadas no estado participante com receita bruta de até R$ 16 milhões no último exercício. Apoia projetos de inovação com risco tecnológico.
- Pró-Amazônia Empreende: para empresas inovadoras com sede ou filial na Amazônia Legal e faturamento anual de até R$ 16 milhões, nas linhas de bioeconomia, comunidades resilientes e desenvolvimento do território amazônico. Os editais saem pelas agências de fomento parceiras de cada estado.
Como cada estado tem seu calendário, um edital pode estar aberto em um lugar e encerrado em outro. Para acompanhar, siga a FAP do seu estado.
Caminho 3: crédito
Crédito é dinheiro que volta, com juros. A Finep tem duas modalidades:
- Crédito direto: pela página da Finep, a linha é para empresas com receita operacional bruta acima de R$ 90 milhões e patrimônio líquido acima de R$ 86 milhões, com operações a partir de R$ 30 milhões. Não é um produto para startups em estágio inicial.
- Crédito operado por agentes: bancos e agências credenciados assumem o risco e fazem a análise. Atende empresas com receita operacional bruta inferior a R$ 300 milhões. Uma das linhas financia a digitalização de processos com soluções de integradoras credenciadas pela Finep.
Na chamada de 2026 citada acima, a Finep também previa a possibilidade de financiar a contrapartida da subvenção com seus produtos de crédito.
Caminho 4: investimento via fundos
Neste caminho, a Finep não investe diretamente na startup. Ela entra como cotista em Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Esses fundos são geridos por terceiros, que escolhem as empresas investidas. A Finep lista fundos como o FIP Finep Startup I, o FIP Nordeste Capital Semente e o FIP Govtech. Quem quer receber investimento deve estudar a política de cada fundo e falar com o gestor. Em setembro de 2026, a Finep e o BNDES selecionaram uma gestora para um fundo voltado a startups de inteligência artificial, estimado em até R$ 500 milhões. O fundo ainda passava por análise e estruturação quando a notícia saiu.
Erros comuns
- Mirar só nas chamadas nacionais. Para empresas pequenas e recentes, os programas por agentes estaduais costumam ter regras mais compatíveis.
- Confundir crédito com subvenção. Uma linha "para inovação" pode ser reembolsável. Confira no edital se o recurso é não reembolsável.
- Ignorar requisitos de constituição. Datas de registro, tempo de operação e objeto social compatível com o projeto eliminam propostas na habilitação.
- Planejar sem a ICT. A chamada de Economia Circular de 2026, por exemplo, exigia parceria com universidade ou instituto de pesquisa, com pagamento previsto no orçamento.
- Perder prorrogações e retificações. A Finep prorrogou prazos de várias chamadas em 2026 e publica as mudanças no próprio site.
Onde encontrar as chamadas da Finep
As chamadas nacionais aparecem na área de chamadas públicas e nas notícias do site da Finep. Os editais descentralizados saem nos sites das FAPs e dos agentes de cada estado. Para ver tudo em um lugar só, acompanhe a página da Finep no Meu Fomento e os programas Centelha, Tecnova e Finep Mais Inovação.
Veja as chamadas da Finep e de outros financiadores abertas agora em /editais.